Plantio de cana-de-açúcar ameaça Amazônia


Plantio de cana-de-açúcar ameaça Amazônia

Uma nova polêmica se aproxima da Amazônia. Um projeto de lei foi aprovado no Senado autorizando o plantio de cana-de-açúcar no bioma amazônico. De acordo com as diretrizes do projeto, a ilegalidade da atividade prejudica o desenvolvimento econômico da região, pois os produtores locais não têm autorização para industrializar a produção. O objetivo da liberação das áreas para plantio é justamente aumentar a produção e gerar concorrência para a venda do etanol.

Mesmo com as considerações do Novo Código Florestal Brasileiro, o projeto de lei, que será encaminhado para votação na Câmara, esbarra na posição de ambientalistas que consideram que as áreas indicadas para plantio são suficientes para atender a demanda atual e às estimativas de crescimento do setor, não sendo necessário incluir a Amazônia Legal como área apta ao plantio de cana-de-açúcar.

Para Edegar de Oliveira Rosa, do Programa Agricultura, da ONG WWF-Brasil, o Zoneamento Agroecológico feito pela Empresa Brasileira de Pesquisas Agrícolas (Embrapa) em 2009 já definiu áreas aptas para a expansão da cana no Brasil dentro de critérios técnicos, pois há outras atividades econômicas mais adaptadas à região amazônica e à realidade produtiva e socioeconômica.  Ele explica que a área envolvida no projeto de lei, apesar de não ser de floresta, faz parte de ecossistemas importantes que devem ser preservados ou aproveitados de forma sustentável. “Há nesta região mais de 150 áreas prioritárias para conservação da biodiversidade conforme mapeamento do próprio governo federal”, comenta.

Se aprovado, o projeto poderá viabilizar inclusive concessões de crédito rural e agroindustrial para a produção e industrialização da cana-de-açúcar e derivados em áreas alteradas. As diretrizes indicam ainda a necessidade de compromisso com o uso de tecnologias apropriadas, com a utilização racional dos recursos naturais, com a conservação da biodiversidade da região e a proteção do meio ambiente.

A WWF-Brasil busca ampliar o debate sobre a alteração do zoneamento da cana prevista na lei e as consequências com a sociedade e no Congresso com apoio de outras organizações socioambientalistas. Edegar afirma que a aprovação do projeto de lei ocorreu devido ao desconhecimento dos parlamentares sobre o tema. A ONG defende uma reflexão muito maior sobre as reais soluções para o desenvolvimento sustentável da Amazônia e que a melhora da produção de biocombustíveis seria viável a partir de uma política de incentivo econômico.

A plantação de cana-de-açúcar é proibida na região amazônica devido ao Zoneamento Agroecológico da Embrapa. Além da Amazônia, outras áreas também foram excluídas, como o Pantanal e Bacia do Alto Paraguai. O Brasil tem uma área de 50,8 milhões de hectares aptos à produção de cana de açúcar, sem considerar a Amazônia Legal.

Jaqueline Baumel

FOTO: Secretaria de Agricultura e Abastecimento-SP





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